Pergunta complexa porque envolve diversas realidades financeiras, educacionais e de saúde, que devem ser respeitadas.
Por considerar as realidades complexas e diversas elaborei minha resposta em forma de perguntas que considero importantes a cada família realizar para poder tomar a sua própria decisão.
Numerei
as questões em ordem de importância, sendo a primeira a que considero ter o
maior peso na decisão (porque envolve fatores financeiros e de sobrevivência), enquanto,
a última configura-se como uma pergunta de confirmação da decisão.
Lembre-se
de considerar todas as respostas na sua tomada de decisão, isso trará uma maior
segurança de que a sua decisão foi a mais acertada para seus filhos e toda a
sua família.
1)Você
pode ficar com seu filho em casa?
Observem
que a pergunta não tem relação com estar ou não trabalhando ou com querer ou
não querer ficar com os filhos (é cruel demais julgar quem pensa em enviar os
filhos à escola como pessoas que não amam os próprios filhos e, apesar da crueldade,
vejo esses julgamentos na internet todas as vezes em que o assunto vem à tona).
A
questão aqui é: como está sua saúde financeira? Seu trabalho é 100% presencial?
Você tem rede de apoio para cuidar do seu filho (como uma vizinha de
confiança ou uma tia disponível, que não pertença ao grupo de risco)? Você pode
trabalhar em home office? Seu filho tem uma idade que te permite trabalhar em home
office?
Em
termos financeiros as realidades brasileiras são tão diversas que não dá para julgar,
sem incorrer em risco de cometer injustiças.
Exemplos
não faltam. Imaginemos a cena seguinte: uma mãe solo de três filhos, todos com
idades abaixo de 7 anos, trabalhando em home office e sem ajudante... Não dá
nem para imaginar como manter a saúde mental nesse cenário, gente!!!
Quer
outro exemplo? Em outra família, ambos os pais podem trabalhar em home office e
seus filhos, já adolescentes, conseguem dar conta sozinho das atividades
escolares.
Em uma terceira família, houve uma queda abrupta e profunda de renda, pois a mãe teve que
largar o trabalho presencial para cuidar do filho pequeno e da mãe dela que,
por conta da idade e da hipertensão arterial, pertence ao grupo de risco. Nessa
família, o salário (reduzido) do pai é o único que paga contas da casa atualmente,
e a família tem passado necessidades por conta disso.
Esses
são só alguns exemplos das múltiplas realidades brasileiras.
2)Como foi o ensino remoto para o seu filho?
Essa
pergunta tem de levar em conta a realidade para cada um de nossos filhos. Numa
mesma família, podemos ter uma criança que se adaptou super bem ao ensino
remoto e que poderá ficar mais um tempo estudando em casa esse ano e outra
criança que teve tantas dificuldades que praticamente abandonou a escola. Nesse
último caso, o melhor, talvez seja, enviar a criança para a
escola sim.
3) Seu filho pertence ao grupo de risco ou convive diariamente com familiares pertencentes ao grupo de risco? Em famílias em que netos e avós moram juntos, por exemplo, ou famílias em que o próprio pai ou a mãe têm os fatores de risco para complicações da COVID-19, como obesidade, hipertensão e diabetes; talvez seja melhor para essa família manter a criança em casa.
4)Sua família está fazendo distanciamento social/isolamento social?
Há
famílias que estão seguindo à risca os protocolos de proteção à COVID-19: distanciamento
social com saídas restritas a mercados, médicos e farmácia. Não frequentam
festas, praias e bares. Para essas, se há possibilidade financeira de manter
seus filhos em casa e se o ensino remoto funcionou para seus filhos, talvez
seja realmente o caso de mantê-los em casa ainda por mais um tempo.
Entretanto,
em outras famílias a realidade é outra: há famílias cujos membros têm trabalhos
com muita exposição ao risco tais como os profissionais de saúde; os profissionais
que trabalham em locais fechados e com risco de aglomeração; e também as pessoas
que pegam diariamente o transporte público lotado para ir ao trabalho...Para
essas famílias a potencialização dos riscos de contágio já é realidade, com ou
sem o envio de seus filhos para a escola e, talvez, para elas, seja melhor enviar os
filhos para a escola.
5) A escola do seu filho tem estrutura para o
retorno seguro?
No
Brasil, há escolas sem banheiro. Sim! Escolas em que as crianças não têm
banheiro, água... Sabão então... É artigo de luxo e nunca está presente! Como
uma escola dessas pode garantir o retorno seguro de uma criança?
É
muito importante que os pais acompanhem bem de perto essa questão da estrutura
escolar para receber as crianças. Não adianta fazer rodízio de crianças, se não
houver água e sabão para as crianças lavarem as mãos, por exemplo.
Por
isso é muito importante que os pais acompanhem bem de perto esse retorno.
Visitem a escola. Observem o que está disponível para os cuidados das crianças.
Perguntem sobre distanciamento na sala de aula, se tem janelas suficientes para
circular o ar e se permanecem abertas (e, principalmente, nos refeitórios, já
que ambientes fechados com pessoas sem máscaras aumentam significativamente o
risco de contaminação e, claro, em um refeitório, ou as crianças comem ou usam
máscaras.)
Escolas
com retorno programado para fevereiro já devem estar com protocolos rígidos, cientificamente
embasados, que estabeleçam rotinas e regras de convivência no espaço escolar enquanto
durar a pandemia e, principalmente, estabeleçam sanções para aqueles que
descumprirem o protocolo (o que coloca toda a comunidade escolar em risco).
6)Seu filho tem compreensão dos riscos e consegue cumprir à risca os protocolos de segurança?
Vejo
crianças bem pequenas que se comportam muito bem coma máscara e vejo adultos
que não conseguem utilizá-las adequadamente. Não é uma questão de idade que seu
filho tem, mas do nível de engajamento às regras, do nível de percepção de
riscos e de comportamento de seu filho.
Se
a criança ou adolescente tem um perfil que se adaptou bem às regras de segurança
durante a pandemia, talvez essa criança ou adolescente possa ser enviada à
escola se a família assim desejar. Mas se o seu filho tem perfil contrário às regras,
baixa percepção de risco ou têm hipersensibilidade sensorial (e, portanto, não
consegue mesmo, usar uma máscara; como é caso de alguns autistas, mas não somente
deles, porque várias condições podem estar associadas à hipersensibilidade
sensorial), talvez seja o caso de mantê-lo por mais um tempo em casa.
Essas,
a meu ver, são as principais perguntas que, cada família, deve fazer para si
mesma e, de acordo com a pontuação obtida, decidir o que é melhor para sua
família.
Como
psicopedagoga que atende crianças e adolescentes com dificuldade de
aprendizagem das mais diversas, não dá para desconsiderar que o ensino remoto
não funciona para todos . E mesmo para aqueles que o ensino remoto funciona não dá
para afirmar, que ele traga os mesmos benefícios das aulas presenciais, pois há
uma perda significativa de convívio e aprendizagem derivadas das relações sociais
dinâmicas e dos conflitos decorrentes desse convívio que ocorrem, especificamente,
no ambiente escolar e que ensino remoto nenhum pode proporcionar.
Entretanto,
não podemos desconsiderar que, apesar de apresentarem baixo risco para
complicações, crianças e adolescentes sempre correm algum risco, cabendo a cada
família analisar que riscos e que benefícios suprem da melhor maneira possível
as necessidades de cada uma delas.
Há
medidas protetivas? Sim. Máscara corretamente utilizada, higienização frequente
das mãos (com água e sabão ou álcool 70%) e distanciamento social (o que
significa dizer que, para manter-se seguro, nossos filhos terão que ficar, no
mínimo, a 1,5 metros de distância dos amigos e professores durante todo o tempo
em que estiverem na escola) garantem uma proteção eficiente contra esse vírus.
Não
existem receitas prontas. Cada realidade é única. E todas as decisões devem ser respeitadas.
Agora
comente o que você achou desse post. Ele foi útil para você?
Você
vai enviar seu filho à escola?
E não esqueça de curtir e compartilhar se você gostou desse conteúdo, ok?
Até a próxima, pessoal!
Geisa Melo Neves
Psicopedagoga
Mestre em Educação
Especialista em Neuropsicologia Educacional
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