Como está a sua audição?

    
      Quando se pensa em envelhecimento ativo e saudável, há de se ter em mente que os estímulos do ambiente recebidos pelo indivíduo devem ser variados, em quantidade adequada e frequentes e que qualquer redução na variedade, quantidade e frequência desses estímulos pode trazer prejuízos à cognição, às funções executivas, à interação social e, consequentemente, à qualidade de vida da pessoa.
        
      Em estudo publicado na revista Jama Neurology, em 05 de dezembro de 2022, (link aqui) Yeo e colegas apresentam uma revisão sistemática e meta-análise entre utilização de aparelhos auditivos e implantes cocleares e a redução do declínio cognitivo/demência.
       
        Os autores incluíram 31 estudos (25 observacionais e 6 ensaios) em seu relatório; que incluíam indivíduos com diagnósticos de demência ou comprometimento cognitivo.
        
        Em uma análise agrupada de cerca de 127.000 participantes em 8 estudos, descobriram que o uso de aparelhos auditivos reduz em 19% o risco de declínio cognitivo de longo prazo em comparação com os não usuários. "Curiosamente, tanto os indivíduos com cognição normal de base quanto aqueles com comprometimento cognitivo leve de base tiveram uma redução de risco associada ao uso de aparelho auditivo."
       
        Outra descoberta relevante é a de que os autores "por meio de uma meta-análise de 11 estudos com 568 participantes, calcularam que o uso de dispositivos restauradores auditivos (aparelhos auditivos e implantes cocleares) foi associado a uma melhora, modesta, mas significativa, de 3% nos resultados dos testes cognitivos gerais. 
         
          Os autores destacam 3 pontos importantes dos resultados obtidos:

1º) "Esta meta-análise fornece evidências convincentes de que o uso de aparelhos auditivos está associado a uma redução considerável de declínio cognitivo, ainda que não comprove uma relação causal."

2º) "Estudos futuros devem examinar pacientes sem comprometimento cognitivo basal e pacientes com comprometimento leve, pois limitar a análise a qualquer um desses grupos corre o risco de generalizar benefícios potenciais para um dos grupos.

3º) "Este relatório é uma prova do poder de agrupar estudos em meta-análise. A maioria dos estudos individuais não havia alcançado significância estatística, no entanto, quando agregados a significância foi alcançada, fato que enfatiza a importância dessa metodologia em nosso campo, bem como a utilidade na padronização de medidas de perda auditiva e resultados cognitivos em estudos de diferentes populações para facilitar a realização de meta-análises. 

          Fica também um alerta aos mais jovens: de acordo com dados da OMS, de 2022, (link aqui): mais de um bilhão de pessoas com idade entre 12 e 35 anos correm o risco de perder a audição devido à exposição prolongada e excessiva a música alta e outros sons recreativos. Danos à audição são permanentes, mas evitáveis.

       Para orientar a população mundial, a OMS, "sob a iniciativa Make Listening Safe, busca melhorar as práticas de escuta, com base nas evidências científicas mais recentes." 

          "O padrão global para audição segura em locais e eventos destaca seis recomendações de implementação para garantir que locais e eventos limitem o risco de perda auditiva para seus clientes, preservando o som de alta qualidade e uma experiência auditiva agradável."

  1. Nível sonoro máximo de 100 decibéis
  2. Monitoramento e registro de níveis de som usando equipamento calibrado por pessoal designado
  3. Otimizar acústica do local e os sistemas de som para garantir uma qualidade de som agradável e uma audição segura
  4. Disponibilizar proteção auditiva individual para o público, incluindo instruções de uso
  5. Acesso a zonas de silêncio para as pessoas descansarem os ouvidos e diminuírem o risco de danos auditivos
  6. Formação e informação para os trabalhadores

          Para um envelhecimento ativo e saudável cuidar da sua saúde auditiva é fundamental. 

Geisa Melo Neves
Psicopedagoga
Especialista em Gerontologia
Especialista em Neuropsicologia Educacional
Mestre em Educação


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