Tem circulado na internet uma postagem que afirma que o Brasil está há 200 dias sem aula.
Na verdade, o Brasil está há cerca de 180 dias sem AULAS PRESENCIAIS.
Os professores, em casa, têm trabalhado muito mais do que se estivessem ministrando aulas presenciais. E, acredite, tudo o que os professores mais querem é voltar às aulas presenciais. Professores sentem muita falta do contato presencial com os alunos e estão adoecendo por essa ausência.
Você já parou para pensar quanto tempo, em média, um professor dedica para preparar uma aula presencial? Multiplique esse tempo por, no mínimo, 3 ou 4 vezes e, talvez, você chegue ao tempo que um professor tem dedicado para gravar uma única aula.
É fato que milhares de crianças e adolescentes que vivem em condição de extrema pobreza estão sem aula porque não têm acesso à internet.
Mas mesmo em algumas comunidades sem acesso à internet, alguns professores, por iniciativa própria, produzem materiais, entregam esses materiais aos alunos em suas escolas e/ou casas, e alguns ainda realizam visitas a esses alunos para explicar os conteúdos.
É fato também que as aulas remotas não suprem tudo o que as aulas presenciais proporcionam aos estudantes, porém, dizer que o ano letivo está perdido é distorcer a realidade.
O ano letivo só está perdido, infelizmente, para aqueles que vivem em condição de miséria, que já não tinham acesso a vários direitos, muito antes da pandemia se instalar por aqui.
O prejuízo desses estudantes vem de longa data e nunca foi, de fato, preocupação para grande parcela da população nem para os governantes. Do contrário, já teríamos reduzido ao mínimo a distorção de qualidade de resultados existente entre o ensino público e o privado brasileiro e, muito provavelmente, as condições de vida dessas pessoas já teriam melhorado.
Se a sua preocupação é com esses alunos, que bom! Há vários projetos que visam à melhoria do ensino dessa faixa da população e toda ajuda é bem-vinda! Veja em seu bairro, seu município, seu estado o que pode ser feito e faça!
E, se o seu filho tem aulas remotas (ao vivo ou gravadas), professores que se dedicam a gravar aulas de qualidade, uma escola que está trabalhando para que ele aprenda o máximo possível nesse ano atípico, respeite e valorize esses profissionais que, mesmo mal remunerados, não têm medido esforços para trazer aos nossos filhos uma aprendizagem significativa.
Não desvalorize ainda mais esses profissionais, não diga que eles não querem trabalhar porque, na verdade, eles nunca pararam!
Os professores, assim como os médicos, não pararam de trabalhar. Apenas, os professores não o fazem presencialmente.
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