Sua criança se recusa a
assistir às aulas remotas? Diz que elas são chatas? Que sente falta da escola?
Que não quer mais estudar? Se recusa a fazer tarefas?
Saiba que isso é mais comum
do que você pensa e há maneiras de amenizar os danos provocados por essa
situação.
Em primeiro lugar, respire
fundo e acredite: essa “rebeldia” não é pessoal contra você! Muitas vezes esse “comportamento
rebelde” é um pedido de socorro da criança!
A criança não se comporta
mal para te aborrecer! Tudo que uma criança quer é agradar a seus pais (e
quanto mais novas elas são, mais intensa é a necessidade que a criança tem de
agradar).
Agora que você respirou
fundo, vamos lá!
Para começar, tenho que concordar
com sua criança: ela, que está no primeiro ano do fundamental (ano mágico da
alfabetização), acha a aula remota/virtual/on-line chata? Ela está coberta de
razão! Aulas on-line para crianças dessa faixa etária são chatas mesmo!
Reflita comigo: aula remota
não tem o encontro com a professora (com direito a beijos e abraços calorosos,
que tanto fazem bem às crianças dessa faixa etária), não tem a brincadeira com
os amigos, não tem a sala de aula toda enfeitada com letras e números, não tem o momento da leitura de histórias
(cheia de entonações, gritos, tons de voz diferentes e as caras e bocas que só
as professoras sabem fazer e que tanto encantam as crianças), não tem o momento
da música e não tem o lanche e as brincadeiras do recreio! Aula remota é chata
mesmo!
Mas... No momento é o que
podemos oferecer, com segurança, para as nossas crianças.
O que resta de alternativas
para os pais? Vamos lembrar que esses pais também estão sofrendo: exaustos pelo
excesso de trabalho, repletos de preocupações financeiras (tanto dos que
perderam seus empregos, quanto daqueles que mantiveram seus empregos, mas com
perda de renda) e milhares (mais de 100.000) ainda enfrentam perdas
irreparáveis de entes queridos levados pela COVID-19.
Então vamos às dicas:
1º) respire fundo (de novo e
sempre)! A criança está “birrenta”, não quer assistir às aulas, diz que elas
são chatas? Acolha! Ouça com carinho! Ofereça aquele colo aconchegante e seguro
que só os pais são capazes de dar aos filhos! A alfabetização é
importantíssima, tem uma idade ideal para ocorrer, mas acredite: o mais
importante agora é fazer essa criança se sentir segura e ajudá-la a lidar com
as frustrações desse período. Isso fará toda a diferença no futuro dela
Se você estiver sem paciência
no momento, se afaste um pouco. Vá para um canto da casa e, longe da criança,
grite, chore, xingue... Acolha o seu sentimento de raiva, de frustração, de
desespero e se acalme. Eu sei que é difícil (sou mãe também), mas esse é o
único caminho possível para minimizar os danos dessa situação complicada que
vivemos.
2º) Passada a “revolta
infantil”, converse! Converse muito! Explique para a criança o que está
acontecendo! Elas sentem que há algo de errado e conseguem compreender as
coisas se as explicarmos para elas. Conversar com a criança vai ajudá-la a
compreender o que está acontecendo e isso transmitirá segurança para ela. Além
disso, conversar com a criança sempre faz bem, pois a ajuda a adquirir vocabulário
e a desenvolver a capacidade de argumentação (aquisições fundamentais para o processo de alfabetização
e que as ajudam a diminuir as “birras”)
3º) Mostre à criança que
você também está triste ou com raiva ou aborrecido ou preocupado. Diga que você
também sente falta do seu trabalho fora de casa, da convivência com seus
amigos, dos parentes que não podem ser visitados por serem do grupo de risco. Nomeie
os sentimentos! A maior dificuldade de crianças que estão na primeira infância (0
aos 6 anos) é nomear seus próprios sentimentos. Quando o adulto nomeia o sentimento
corretamente ele ajuda seus filhos a compreender que é normal sentir raiva,
alegria, tristeza, frustração e que os adultos também se sentem assim às vezes.
4º) Converse com a escola da
criança! Deixe claro para a professora que as estratégias de ensino utilizadas
não estão promovendo o resultado esperado para sua criança. Na sala de aula a
professora, pelo olhar atento, percebe que crianças estão ou não acompanhando
suas explicações. Quais apresentam maior ou menor dificuldade. Nas aulas
remotas isso não é possível. Então, é responsabilidade dos pais alertar a
professora/escola que algo não está indo bem nesse processo de alfabetização.
5º) Se for possível
(financeiramente) contrate uma psicopedagoga ou pedagoga especialista em
alfabetização para que, de forma lúdica, possa ser feito um resgate do prazer
de aprender da sua criança. De má vontade, com raiva ou triste nenhum ser
humano aprende nada. Então o trabalho de uma profissional qualificada é valioso
nesse processo. Quando a criança recupera o prazer de aprender, assistir às aulas
(chatas) remotas fica mais divertido ou menos penoso.
6º) Se não for possível
contratar uma profissional especialista em alfabetização, será necessária uma
dose ainda maior paciência e utilizar algumas estratégias lúdicas que as
famílias podem promover para melhorar o processo de alfabetização de seus
filhos.
Mas essas dicas ficam para a
próxima postagem!
Se você ficou com alguma
dúvida, entre em contato comigo pelo meu e-mail: geisameloneves@gmail.com e se
precisar de atendimento especializado entre em contato pelo telefone/whatsapp:
(41) 99897-2064.
Geisa Melo Neves
Psicopedagoga
Mestre em Educação
Especialista em Neuropsicologia Educacional
Educacaoaplicada.blogspot.com.br (blog)
Educação aplicada – Geisa Melo Neves (facebook)

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