Muitas famílias têm dúvidas sobre manter seus filhos matriculados na educação infantil nesse período de pandemia. E é com essas famílias que eu gostaria de falar nessa postagem para tentar ajuda-las na tomada de decisão.
A educação infantil é a etapa da educação básica mais importante para o sucesso escolar (se é que podemos chamar assim) do seu filho.
A quantidade de habilidades (motoras e cognitivas) que são conquistadas pela criança matriculada em uma boa educação infantil é inegável e fundamental para que a vida escolar do seu filho se desenvolva da melhor forma possível futuramente.
Além disso, a lei federal nº 12.796, de 04 de abril de 2013, tornou obrigatória a educação básica dos 4 aos 17 anos de idade.
Isso significa que se a criança ou adolescente nessa faixa etária não estiver matriculado em uma instituição de ensino (seja ela pública ou privada) os responsáveis por essa criança podem ter problemas judiciais já que o chamado “homeschooling” ou educação domiciliar não está legalizado no Brasil e é alvo de amplas discussões a respeito de suas vantagens ou desvantagens.
Que fique claro então que nessa postagem quando me refiro à possibilidade de cancelar uma matrícula na educação infantil estou me referindo à etapa não obrigatória (0 a 3 anos)
Dito isso, vamos à realidade que nos foi imposta pela emergência sanitária e econômica no Brasil: uma pandemia e uma crise econômica severa.
Desconheço famílias que não tenham sido afetadas (em maior ou menor grau) por essa pandemia e reconheço que cada família sabe da sua própria situação econômica e dos estragos que essa pandemia causou à sua situação de vida.
Por isso, reuni dicas que talvez sejam úteis na tomada de decisão de cada família na esperança de ajudá-las de alguma forma.
Antes de tomar qualquer decisão, vale fazer a si mesmo algumas perguntas e avaliar suas respostas:
1) A escola do seu filho manteve o diálogo com as famílias? Ela está aberta a ouvir a demanda das famílias (tanto com relação às atividades pedagógicas realizadas quanto às questões financeiras das famílias)?
2) As atividades propostas pela escola são lúdicas? Estimulam a criatividade do seu filho? Trabalham a consciência corporal e a coordenação?
Se a resposta a essas perguntas for sim e sua família tiver condições econômicas de continuar a arcar com as mensalidades a melhor opção é manter seu filho na escola.
A manutenção do vínculo com a escola e com a aprendizagem é fundamental, principalmente nessa faixa etária.
Mas lembre-se:
1) Atividades para crianças de 0 a 3 anos não devem exigir que a criança faça trabalhos que exijam esforços além do seu limite nem devem ter a exigência de um prazo reduzido de dias para serem feitas e validadas.
2) O ideal nessa faixa etária é que a criança “brinque de aprender” e isso uma boa escola de educação infantil, com certeza, sabe proporcionar às crianças.
3) Crianças dessa faixa etária não têm um tempo longo de concentração (atenção), ou seja, não adianta ter aulas remotas muito extensas. Aliás, para essa faixa etária nem é recomendável o uso de telas de acordo com orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria e da OMS. Entretanto, sabemos que, em tempos como o que estamos vivendo atualmente, é melhor um tempo curto de exposição às telas para a realização de um trabalho pedagógico com seu filho do que privá-lo desse momento de aprendizagem.
Por outro lado, se a sua família passa por uma crise financeira que não permite negociações com a escola do seu filho ou se a escola do seu filho não se mostra disponível para tais negociações financeiras não há outro caminho possível a não ser cancelar a matrícula do seu filho.
Se esse for o caso da sua família não se culpe. Seu filho precisa que você esteja bem, física e mentalmente, para que você possa cuidar dele.
Para você eu gostaria de pedir que, na medida do possível, brinque muito com seu filho e que realize atividades que estimulem a coordenação e a cognição o que permitirá ao seu filho que, no retorno à escola, se adapte melhor.
Importante lembrar que esse brincar deve seguir um ritmo constante (não adianta brincar com a criança uma vez por semana ou somente aos finais de semana e acreditar que assim, estará estimulando adequadamente seu filho). O brincar com finalidade pedagógica exige uma constância, uma regularidade e uma diversidade de atividades lúdicas. .
Faça pequenos intervalos durante o dia e brinque com seu filho: três vezes ao dia, por exemplo. Diversifique as brincadeiras: pular, correr, desenhar, cortar revistas com as mãos, dançar ouvindo música, contar histórias, circuitos... São infinitas as possibilidades que trarão ao vínculo de vocês uma força ainda maior e que ajudarão no desenvolvimento do seu filho.
A decisão cabe à sua família. Seja ela qual for, tenha certeza de que você está fazendo o seu melhor. Não se culpe. Seu filho precisa de você! Fique bem e se cuide!
Comentários
Postar um comentário